Projeto que nasceu no Oeste Paulista completa 30 anos como referência mundial na conservação de antas

Entre as principais ameaças enfrentadas pela anta no Brasil e na América Latina, estão a caça, atropelamentos e mortes Gabriel Marchi O que começou em 199...

Projeto que nasceu no Oeste Paulista completa 30 anos como referência mundial na conservação de antas
Projeto que nasceu no Oeste Paulista completa 30 anos como referência mundial na conservação de antas (Foto: Reprodução)

Entre as principais ameaças enfrentadas pela anta no Brasil e na América Latina, estão a caça, atropelamentos e mortes Gabriel Marchi O que começou em 1996 como um estudo de ecologia no Parque Estadual Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP), transformou-se na maior referência mundial sobre o maior mamífero terrestre da América do Sul. A Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB-IPÊ) completou 30 anos de atuação com números impressionantes e um papel vital na manutenção das florestas brasileiras. 📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp Ao longo dessas três décadas, o projeto já capturou 571 antas, monitorou 160 por meio de colares de telemetria e identificou outros 600 indivíduos através de armadilhas fotográficas em cinco biomas: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. A anta é conhecida como a "jardineira da floresta" por sua capacidade de dispersar sementes e ajudar na regeneração da vegetação. Veja os vídeos que estão em alta no g1: Veja os vídeos que estão em alta no g1 No Morro do Diabo, um estudo de longo prazo (realizado entre 2004 e 2014) comprovou que a presença desses grandes herbívoros é fundamental para desacelerar a perda de diversidade em florestas tropicais. Pesquisadores compararam áreas de floresta onde esses animais circulam livremente com áreas cercadas, que impediam seu acesso. O resultado indicou que as áreas com presença dos herbívoros tiveram menor perda de diversidade de plantas. Os animais contribuem para o equilíbrio da floresta principalmente por meio da dispersão de sementes e da influência na regeneração das plantas. O estudo, publicado no Journal of Applied Ecology, também alerta que a ausência desses animais pode alterar significativamente a composição da floresta, o que já ocorre em vários fragmentos da Mata Atlântica devido à caça, atropelamentos e perda de habitat. Os pesquisadores defendem que a conservação e a reintrodução desses grandes herbívoros são estratégias importantes para restaurar ecossistemas florestais e proteger a biodiversidade, principalmente em florestas maduras, que se mostraram mais beneficiadas pela presença desses animais. Iniciativa Nacional para a Conservação da Anta Brasileira (INCAB-IPÊ) completou 30 anos de atuação Gabriel Marchi LEIA TAMBÉM: Artista plástico do interior de SP celebra 50 anos de carreira e analisa impacto da IA na arte: 'Falta alma' 'Gingo terapia': capoeira adaptada promove saúde e convivência para idosos no interior de SP Prefeitura de Prudente cria banco de ração para ajudar pessoas que cuidam de animais; entenda a iniciativa Conhecimento científico Atualmente, a INCAB-IPÊ atua em cinco biomas brasileiros: Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica e Pantanal. Os estudos da equipe multidisciplinar já produziram dados que ampliaram o conhecimento científico sobre a espécie. Entre os achados, os pesquisadores descobriram que as antas são poligâmicas, ao contrário do que se pensava, e registraram a presença do animal na Caatinga, bioma onde a espécie havia sido classificada como localmente extinta. Além disso, estudos de toxicologia com antas levaram à identificação de populações humanas contaminadas por agroquímicos e metais no Cerrado do Mato Grosso do Sul. “Fazer conservação no mundo de hoje não é uma tarefa simples. É uma luta constante, repleta de desafios. O fato de termos, aqui no nosso país, um projeto desse porte e com essa longevidade é absolutamente incrível e motivo de enorme orgulho e celebração", afirma Patrícia Medici, coordenadora da INCAB-IPÊ. Medici ainda destaque que, de maneira geral, a conservação de espécies não é vista como prioridade e requer muito apoio. "Ao longo desses 30 anos, tivemos a parceria institucional e financeira de centenas de pessoas e organizações, sobretudo internacionais, o que nos permitiu chegar tão longe com esse trabalho”. Parque Estadual Morro do Diabo, em Teodoro Sampaio (SP), é símbolo de preservação Fundação Florestal Initial plugin text Veja mais notícias no g1 Presidente Prudente e Região VÍDEOS: assista às reportagens da TV TEM

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